quinta-feira, 4 de junho de 2020

Biblio@rs (XX)

 
A Civilização Grega - A educação 

 A educação como a conhecemos hoje com a construção de um sistema educativo que proporcione a formação dos jovens para a participação na sociedade é mais uma ideia grega. Claro que para os gregos a preocupação era a formação dos cidadãos para o governo da pólis. Não tendo muitos habitantes da Grécia a possibilidade de participar nesse governo a ideia era mais limitada, mas não deixa de ser uma ideia profundamente original. A escola é assim uma criação grega, um instrumento para preparar melhor as pessoas para a sua vida futura.
A educação na Grécia tinha um objetivo primordial que seria desejável que ainda hoje se desejasse a sua concretização, a de formar uma pessoa íntegra, com um personalidade exemplar. A educação grega procurava organizar-se na formação e disciplina do corpo e do espírito. A educação grega não pretendia apenas ensinar assuntos ou "coisas" importantes. Pretendia que o jovem tivesse um desenvolvimento harmonioso de aspetos tão diversos como os elementos físicos do seu corpo, ou as suas capacidades intelectuais, artísticas e morais.

A educação dos rapazes e das raparigas era muito diversa. Vejamos as principais diferenças:
1. A educação dos rapazes - esta era dividida em cinco fases:
  • Até aos sete anos de idade - nesta fase a educação entre rapazes e raparigas divergia pouco. Aquela estava a cargo da mãe e o espaço onde isso acontecia era o gineceu. As preocupações por formar um jovem com qualidades e virtudes já se inicia nesta fase, pois ela atravessa toda a educação grega.
  • Entre os sete e os catorze anos - nesta fase os rapazes abandonam o espaço familiar do gineceu e entram na escola. Os alunos eram orientados por um "pedagogo" que introduzia aqueles na recitação de poemas, nomeadamente os homéricos: a Ilíada e a Odisseia. Era nestes poemas que eram exercitados valores de conduta e era neles que aprendiam a ler e a escrever. Os rapazes nesta fase eram também introduzidos no estudo da música e da álgebra.
  • Entre os catorze e os dezoito anos - nesta fase os rapazes abandonavam a escola e entravam no ginásio. Estes, eram espaços de aprendizagem e exercitação do corpo e do espírito. A matemática, o raciocínio lógico, a preparação física eram atividades complementares e que buscavam a educação mais completa possível para os jovens.
  • Entre os dezoito e os vinte anos - nesta fase os jovens recebiam preparação física adequada para a utilização das diferentes armas e ser possível, em caso de necessidade participarem na guerra, na defesa da pólis.
  • A partir dos vinte anos - nesta fase os rapazes  ascendiam à possibilidade de participarem na vida da pólis como cidadãos. Com a organização dos espaços públicos e em particular da ágora,  falar em público com os mais velhos, nomeadamente os filósofos era outro modo de melhorar a sua educação pela troca e discussão de ideias. A completar esta formação é importante referir que o teatro com as suas representações de tragédias e comédias formava do ponto de vista cívico o jovem adulto.
2. A educação das raparigas 
Esta era muito diferente e não tinha uma estruturação de tarefas em função da idade. Na verdade, a educação das raparigas não assumia as formas da dos rapazes. A educação das raparigas era estritamente feita em casa. Era a mãe que realizava a educação das raparigas, no espaço da casa a isso destinado, o gineceu. A aprendizagem baseava-se muito nas tarefas caseiras do quotidiano. A independência das raparigas era inexistente e na verdade não entravam no espaço público e estavam muito dependentes da família em jovens e do marido quando casadas. 
A democracia ateniense acabou por ser limitada em muitas áreas e esta, a da educação foi uma delas, pois os gregos consideravam essencial separar numa pessoa os espaços públicos, dos familiares, como condição para a participação na administração da pólis.
 
Imagem: Copyright - Cerâmica ática - séc. V a.C. - Berlin Staalitche Meseen

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Biblio@rs (XIX)

 
A Civilização Grega - As Ciências e o conhecimento 

A aventura grega que aqui temos dado conta atingiu diferentes áreas e domínios. Interrompemos essa viagem pelas manifestações artísticas falando hoje um pouco da Ciência e do conhecimento científico. A Civilização Grega alcançou um grande progresso em áreas como a Ciência, a Arte, a Literatura, a Medicina, a Matemática, a História e a Filosofia.

O desenvolvimento nas diferentes áreas do conhecimento e em particular nas Ciências deve-se a um elemento desta civilização que importa muito realçar. As diversas questões surgidas num questionamento contínuo sobre a a vida, o homem e o cosmos foi orientado não por um pensamento mágico, de natureza religioso, mas pelo uso da razão. Será a partir de uma observação do real e do uso da razão que esta civilização tentará explicar o Universo, a sua existência, assim como as particularidades da vida do homem. É curioso que tendo criado uma metodologia de pensamento científico não usaram o que sabiam para o desenvolver numa aplicação de tecnologia. É essa uma das grandes diferenças entre as civilizações grega e romana.

Podemos destacar algumas das áreas do conhecimento que se expandiram com os gregos:
1 - A Medicina - Hipócrates ainda é conhecido pelos estudantes de Medicina, pelo seu conhecido juramento e é nele que reside o início desta Ciência. A doença como uma sintoma a ser tratado pelo corpo e não pelo espírito é algo profundamente inovador para este tempo. A doença como algo que resultava de um processo biológico e não de um castigo, de um "pecado" de alguma divindade foi outro grande progresso do conhecimento grego. Passarão muitos séculos após o período clássico em que estas ideias de grande originalidade retrocederam a um nível que dificultou muito a vida das sociedades e das pessoas.

2- A Matemática - Foi a Civilização Grega que pela primeira vez criou os fundamentos de um pensamento, capaz de ser transformado numa linguagem. Pitágoras foi apenas um desses nomes que que tentou encontrar na matemática e na sua linguagem as formas para explicar os meios a que obedecia o funcionamento do Universo.

3- A História - É também na Grécia que surge pela primeira vez a ideia de recolher informações sobre o modo de vida de épocas anteriores e tentar com elas explicar o funcionamento das sociedades no passado. A mitologia desaparece dos modos de compreender as sociedades e é usando a razão e os documentos que a mesma se deve realizar. Tucídides foi o fundador desta área do conhecimento e a próprias palavra "História" (investigação) é de origem grega.
4 -  A Filosofia - É possivelmente na área do conhecimento a grande contribuição da Civilização Grega para a História da Humanidade. A palavra deriva de "philein" (amar) e "sophia" (sabedoria). Alcançar ou desejar uma forma de sabedoria era o grande objetivo desta área do conhecimento pensada pelos gregos. Essa sabedoria seria um processo pelo estudo das formas como o Homem vive, com aquilo que conhece e com o que pode ser determinado como a verdade. Os valores da conduta humana seriam assim campos de trabalho para aceder a essa desejada sabedoria.

A Filosogia com os Gregos usou uma forma nova de pensar - usando a razão para compreender o que era o Mundo, a Natureza, a Vida e o Homem. Na medida em que tinha em sido uma procura estava distante da mitologia. Dirigiu-se assim para a construção de argumentos feitos como base na razão e numa construção lógica da mesma. Existiram diferentes escolas com diferentes filósofos, como Pitágoras, Sócrates, Platão ou Aristóteles. A sua ação foi muito importante para a criação e valorização de um espírito científico, suportado na razão, na observação e na experimentação. O Renascimento do século XV e o nascimento da ciência moderna devem muito a esta brilhante civilização. Por tudo isto não será difícil perceber que muito do que fomos sabendo e criando dependeu desta curiosidade natural dos gregos.
Imagem: A escola de Atenas - quadro de Rafael, 1511-12 - Museu do Vaticano

terça-feira, 2 de junho de 2020

Biblio@rs (XVIII-X)



                                      A Civilização Grega - As manifestações artísticas: a cerâmica e a pintura


A cerâmica pintada foi uma das grandes manifestações artísticas da Civilização Grega. A sua exportação para toda a área do Mediterrâneo foi um dos contributos desta civilização no Mundo Antigo que não tinha atingido ainda este grau de exuberância. A cerâmica grega foi um dos produtos que dava rendimento às cidades-estado e que se alargou em todo o Mediterrâneo, tendo chegado também a zonas tão distantes como a Pérsia ou o espaço da Europa Continental, como a Gália ou a Germânia.

A cerâmica grega difundiu-se em diferentes períodos com características diversas. Era  produzida em oficinas artesanais que de estenderam por toda a Grécia, embora se deva destacar o papel preponderante das oficinas atenienses. Dos diversos estilos os mais interessantes pelas inovações foram as produções de cerâmica coríntia e a ática. 

A cerâmica grega teve diversas formas e diferentes funções. Serviu para uso doméstico, para fins religiosos e comerciais e até para rituais ligados à morte. A cerâmica grega é uma das fontes para o estudo desta civilização, pois nela se retratam episódios da vida social, económica, cultural, quotidiana e religiosa dos gregos.  A cerâmica grega permite estudar a evolução dos elementos plásticos e expressivos da arte grega, assim como o desenho e os elementos pictóricos e o modo como se foram modificando.

Podemos destacar os seguintes períodos da cerâmica grega:
1 - séculos IX a VIII a.C. - desenvolve-se o chamado estilo geométrico que sofreu a influência de outras culturas mediterrânicas, como a das civilizações minóica e cretense. A decoração é feita à base de elementos geométricos que são organizados em frisos paralelos. Nestes surgem várias linhas onduladas e outras formas geométricas como triângulos ou losangos, entre outros. Esta construção geométrica era feita seguindo uma princípio muito importante, a de que existia uma linguagem abstrata fundada em princípios matemáticos e existentes na natureza e que organizava o próprio universo e a razão humana.  São deste período as cerâmicas de Dipylon.

2. século VIII a.C. - a cerâmica grega passa a ser construída com um elemento novo, de natureza figurativa. São representações de pessoas e animais que são esquematizadas como silhuetas e que compõem cenas do quotidiano, ou cerimónias ligadas à vida cultural e religiosa dos gregos. Nesta fase chamada de arcaica surgem figuras negras emersas em fundo vermelho. Desenvolveu-se muito na Ática e em Atenas e caracterizava-se pela utilização de um estilete que definia os contornos e os detalhes anatómicos. O restante espaço desenhado era emerso em negro e com isso ganhava uma decoração de aspeto bidimensional. Nesta fase são nomes de destaque da cerâmica grega Exéquias e Eutímides.

3. século V a.C. - com todo o desenvolvimento das cidades-estados e do domínio de Atenas no Mediterrâneo e no Mar Negro inicia-se na pintura da cerâmica a introdução de elementos orientalizantes. A decoração de figuras de natureza mitológica, com uma mistura de animais e figuras humanas e vegetais. Este período estende-se até ao século IV a.C., e é a fase de maior qualidade da cerâmica grega. 
A criação das figuras vermelhas por Andócides, onde a superfície é toda negra e as figuras desenhadas fixam um tom avermelhado vindo da cozedura do barro dava-lhe grande expressão. As figuras ganham uma construção naturalista e de grande valor plástico, sendo a cerâmica assinada pelos seus criadores, o que revela a importância do período clássico na cerâmica grega.

Imagem do topo: Representação de Dionísio

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Biblio@rs (XVIII-IX)


A Civilização Grega - As manifestações artísticas: a escultura

A ideia que temos é de que a escultura grega exprimiu de uma forma grandiosa todo o pensamento grego, nesse ideal por uma dimensão humana feita de harmonia e equilíbrio. Estudar a escultura grega, saber muito sobre ela não é fácil, pois a maioria delas desapareceu e as que conhecemos são réplicas romanas, ou ainda pior são cópias de épocas tardias, pois a Civilização Grega influenciará largos momentos da História da Humanidade.
A escultura grega foi pensada com um objetivo que a arquitetura também perseguiu, prestar homenagem às divindades e representá-los à escala humana, em função das necessidades dos homens. A representação humana realizada nas esculturas não apresentavam uma figura como ela existia, mas sim fazia uma idealização que se prendia aos critérios das proporções de uma harmonia geral. As formas da escultura grega tentam alcançar o que seria a perfeição na beleza humana.
A escultura grega passou por diferentes fases, nas quais as suas características evoluíram. Podemos distinguir as seguintes fases:
1 - Séculos VIII a V a.C. - Estilo Arcaico - nas suas principais características encontramos ainda uma postura rígida, frontal , com os braços ainda a não revelarem movimento, mas ficando pendentes ao longo do corpo. Nota-se neste período alguma influência da estatuária egípcia, também ela de construção muito rígida, embora na escultura grega já se pressintam nos olhos um movimento como quem caminha, uma intenção de revelar uma dimensão interior. Os Kourai são um dos exemplos desse período. Estas figuras são figuras heróicas existindo também a versão feminina, as Korai que eram imagens de mulheres vestidas para serem colocadas em santuários, ou em túmulos.
2 - Século V a.C. - inicia-se neste período uma grande preocupação por representar o movimento, ao mesmo tempo que se observa a construção das regras das proporções. Um dos exemplares deste período é a Auriga de Delfos, datada de 470 a.C., que nos oferece uma representação que parece contemplar o que observa. A figura parece ter sido imobilizado perante algo, não tem elementos decorativos e a anatomia humana é representada com muito cuidado. A representação em bronze de atletas e divindades ajudou a fixar um movimento e um estilo de escultura. 
Neste período entramos na fase clássicas em que a Civilização grega nos deu diversas obras primas. Um novo conceito de representação surge, o chamado contraposto, em que o corpo fica apoiado numa perna, enquanto a outra flete. A representação naturalista dos corpos ganha significado e o sorriso ou expressão facial desaparecem. O Discóbolo de Míron, data do de 450 a.C., é um dos símbolos desta fase. 

As obras de Fídias no Pártenon com a construção em relevo dos frisos e frontões atinge uma expressão de movimento muito significativo. O naturalismo, a serenidade da expressão e o equilíbrio da representação dominam a escultura deste período. Existem diversos trabalhos na Acrópole que acompanham este período, como por exemplo a estátua de Zeus em Olímpia, ou a representação de Atena no Pártenon. Estas obras são consideradas as maiores construções da escultura do período clássico. 

A culminar a perfeição da representação humana, Policleto em 44o a.C., criou O Doríforo que estabelece a regra da representação humana, o chamado cânone, que era uma regra sobre as proporções e que tentava construir um equilíbrio na representação que integrasse o movimento, a harmonia anatómica e a própria altura da figura representada.

3- No fim do século V a.C.  e na transição para o século seguinte fá-se um novo período designado o segunda fase do idade clássica. As regras mantêm-se as mesmas do período anterior, mas a representação mais descontraída, mais ligeira, com uma expressão da sensualidade do corpo de modos mais efetivo. O humor, o erotismo e a emoção passam por figuras como Sátiro em descanso, ou Hermes com Dioniso, ambos de Praxiteles. Ganha-se uma dimensão mais emotiva e perde-se a visão épica, pois a escultura ganha uma dimensão de movimento ondulante, o que não se verificava antes.

4 - A escultura helenística prosseguiu o que a segunda fase do classicismo grego já tinha construído, a saber o abandono de uma visão mais racional para uma expressão de sentimento e uma exteriorização das emoções.  Lisipo é a principal figura deste período em que a exterorização das emoções vai mais longe. Influenciada pelas conquistas de Alexandre, a escultura grega abandona os valores clássicos da beleza ideal e explora os sentimentos, como o sofrimento ou a tragédia. A Vénus de MIlo ou O Laocoonte e os seus filhos são obras que representam esta fase.

O retrato surge na civilização Grega, justamente neste período com Lisipo e a conhecida expressão a Alexandre Magno. Por fim importa dizer que a principal matéria-prima da escultura grega foi o mármore, que tinha grandes qualidades para a expressão pretendida. De todos os mármores usados o mais apreciado era o que vinha de Paros no mar Egeu, pois a luz tinha a possibilidade de o travessar quando  a escultura tinha até 3, 5 cm de espessura, o que nas tardes solares gregas deve ter causado grande impressão aos habitantes desta brilhante civilização.
Imagens:
 Apolo, Posídon e Ártemis num dos frisos do Pártenon / Koré de Eutidyco
 Auriga de Delfos / Vénus de Milo 

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Biblio@rs (XVIII-VIII)

 
A Civilização Grega - As manifestações artísticas: as ordens arquitetónicas
 
Como temos visto, as cidades-estado da Civilização Grega eram diferentes e independentes entre si. Existia, no entanto uma ideia de comunidade que se baseou numa língua, numa afirmação política, num religião e numa cultura. As cidades-estado procuraram afirmar-se como espaços suportadas com funcionalidades muito específicas. Se a cidade-estado era uma expressão de um pensamento, e neste caso da própria razão, a arquitetura manifestada na construção dos templos também o deveria ser.

É o templo aquilo que mais caracteriza esta civilização na arquitetura. Nela vemos a arte como forma de expressão construída à dimensão do homem, no sentido de que era edificada não para contemplar deuses, mas para obter respostas para o próprio homem. Nessa centralidade que misturava um pensamento misturado de razão e de ideal deram-nos os gregos templos servidos por uma grande beleza. 

Na verdade, no questionamento a que se dedicaram para a construção da sua arte estavam princípios como o belo, a harmonia, o equilíbrio e a proporção das coisas. Os templos não eram espaços para receber multidões de fiéis, ou adoradores de uma divindade, mas sim um local de referência, visto do exterior, como uma dedicatória para a proteção da cidade-estado. Os templos basearam-se num conjunto de regras suportadas nas colunas e por isso podemos falar das ordens arquitetónicas.

Inicialmente construídos em madeira, os templos passaram a ser construídos em pedra que se suportava pela junção de grandes blocos. As ordens arquitetónicas possuíam regras próprias em relação às colunas e aos seus elementos de suporte, assim como o que se colocava na parte superior dos templos. Temos assim três ordens arquitetónicas: a dórica, a jónica e a coríntia.



  • A odem dórica - trata-se da ordem mais antiga e é também a mais importante. O Pártenon, dedicado a Atena, na acrópole de Atenas é um dos seus grandes símbolos. A ordem dórica surge no século VII a.C., e era a mais simples e aquela que não era decorada. Não tinha motivos ornamentais e está ligada aos Dórios que foram um povo que habitou a Grécia e que tinha uma organização guerreira da sociedade. A coluna não tem uma base e é construída na junção de  4 a 8 módulos de altura.   
  • A ordem jónica - esta ordem existiu quase ao mesmo tempo que a dórica. Nasce no século VI a.C., tendo sido trazida das ilhas do mar Egeu pelos Jónios, outro povo que compôs a Civilização Grega. Está mais ligada a uma visão feminina, ou a uma ideia feminina, pois revela proporções mais harmoniosas e é decoradas com belos elementos. Ao contrário da dórica, a jónica possui uma base e o friso no cimo tem uma decoração esculpida na pedra. A ordem jónica tem outra diferença muito importante que é a de ter um capitel (o que fica na parte superior da coluna) com duas pequenas ondas interiores (volutas) que tendem a imitar um rolo de papel. Um dos grandes exemplares desta ordem é o Pórtico das Caríatides, também em Atenas. 
  • A odem coríntia - esta ordem começa a ser utilizada no século IV a.C., e é uma evolução da ordem jónica. Mantêm a elegância e um sentido muito claro das proporções, com um trabalho muito rico na própria coluna. O capitel é muito trabalhado e apresenta uma decoração muito rica com folhas de acanto que são acompanhadas com um movimento circular, a imitar um rolo de papel (as volutas) quer já eram conhecidas na ordem jónica. A orem coríntia foi a mais exuberante e será aquela que os romanos irian adotar em grande número, no seu império. O templo de Zeus em Atenas é um dos grandes símbolos desta ordem arquitetónica.
magem: O Pártenon (Acrópole de Atenas, em honra da deusa Atena - ordem dórica).

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Biblio@rs (XVIII-VII)

A Civilização Grega - As manifestações artísticas - o desporto (os jogos olímpicos II)


Já tínhamos falado sobre o papel essencial dos Jogos Olímpicos na cultura grega e na vida das cidades-estado. Falemos agora um pouco sobre as diferentes atividades desportivas e como se organizavam os sete dias das competições desportivas.

De um modo simples o calendário dos Jogos Olímpicos estava alinhado do seguinte modo:
  • 1.º dia - Oferta dos sacrifícios a Zeus e juramento dos atletas;
  • 2.º dia - Realização de diversos rituais religiosos;
  • 3.º dia - Realização de corridas pedestres e estafetas;
  • 4.º dia - Realização do Pentlato
  • 5.º dia - Realização de diversas lutas gregas: Luta, Pugilismo e Pancrácio;
  • 6.º dia - Realização de Corridas de cavalos e de carros;
  • 7.º dia - Consagração dos vencedores.
Nos dois primeiros dias concentravam-se os rituais religiosos, onde se destacavam as oferendas e sacrifícios em honra do Deus a que era dedicado os jogos, Zeus. Nestes dois dias os atletas faziam os juramentos das regras com que se realizavam os jogos.  Após o juramento realizavam-se algumas provas para organizar o agrupamento dos atletas, em função das categorias que iam disputar. No final desta pré-qualificação, os atletas despiam-se e eram ungidos com azeite. 

O terceiro dia era reservado às competições pedestres e das estafetas. Realizavam-se diferentes tipos de provas. Existam corridas de 400 e 5000 metros, e esta última funcionava como prova de estafetas.  Corriam com um obeto pesado, o hopplita, o que tornava estas provas difíceis. Estas eram a únicas provas em que os atletas não estavam despidos.

No quarto dia realizavam-se as provas do Pentlato, e que estavam organizadas em cinco modalidades: 
1. salto em comprimento; 2. lançamento do disco; 3. lançamento do dardo; 4. luta e 5. corrida. Neste dia reuniam-se as provas mais apreciadas pelos espetadores.

No quinto dia reuniam-se as provas de luta, nomeadamente o Pugilismo e Pancrácio. Estas competições reuniam um tipo de lutas que exigiam uma boa preparação física com uma substantiva flexibilidade do corpo. Em algumas das lutas o atleta tinha a cabeça protegida por um capacete de bronze. Alguns combates eram muitos violentos, com destaque para o Pancrácio, pois as regras de proteção eram muito limitadas, num combate que misturava a luta corpo a corpo com o boxe. Muitas vezes um dos atletas acabava por falecer e nesse sentido era uma das piores das lutas que se realizavam nos Jogos Olímpicos.

No sexto dia realizavam-se as corridas de cavalos e de quadrigas. Existia um espaço próprio para essas corridas, o hipódromo. Finalmente no sétimo e último dia era feita a consagração dos atletas que tinham participado nos jogos. Os vencedores eram consagrados num banquete, onde eram anunciados os vencedores. Neste anúncio destacava-se a sua linhagem, a sua família e a sua cidade. Os vencedores eram coroados com um coroa de oliveira e encaminhavam-se para agradecer e homenagear o deus dos jogos, justamente, Zeus. Como já vimos, os vencedores eram aclamados na sua cidade, onde ficavam com o estatuto de heróis, que acabaria por se integrar nos valores culturais dos gregos.
 
 

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Biblio@rs (XVIII-VI)

 
A Civilização Grega - As manifestações artísticas - os templos

Os templos gregos são mais uma das grandes marcas de uma extraordinária civilização. Para se compreender um pouco do que foi a aventura grega é preciso reconhecermos que a mesma  quando existiu olhou para as coisas como uma descoberta, como se o mundo tivesse acabado de nascer e era preciso encontrar a sua verdade, aquilo que era real, transmitida na sua palavra, Alétheia.
Existia na Civilização Grega uma procura contínua pela curiosidade sobre tudo o que rodeava a sua vida. Os gregos, ao contrário de outras culturas não se satisfaziam apenas na realização de tarefas, mas queriam compreender o próprio sentido da vida e por isso se dedicaram de uma forma original à escultura, à pintura, à arquitetura, ao pensamento, ao questionamento contínuo para encontrar uma resposta para as suas questões. Os templos foram uma das áreas que mais marcou a sua criação.

Os templos gregos variaram um pouco, entre o século VIII a. C., e o apogeu do mundo helénico no século V a.C., pois na primeira fase eram mais santuários naturais, pois os gregos acreditavam que os elementos naturais eram visitados pelos deuses e assim árvores, rochas ou rios eram considerados santuários de culto. 

A partir do século V a.C., a criação artística grega atinge o seu mais alto nível de perfeição. A arquitetura grega está muito ligada à construção dos templos. Quando as olhamos ainda hoje ficamos maravilhados, pois se tinham uma função eram também construídos para serem admirados. O interior do templo era um espaço de contemplação, de construção de um ideal de beleza e por isso os altares e os sacrifícios eram feitos no exterior. Esta é mais uma ideia nova e original dos gregos. 

Os templos serviam uma função de ritual religioso e eram erguidos em honra dos deuses e, sabendo que cada cidade-estado tinha um deus protetor é fácil concluir que esta civilização erigiu muitos templos no seu espaço geográfico. A construção de muitos templos era incentivada pelo governo da pólis, de modo a que todas as cidades-estado fossem embelezadas com os templos ligados às divindades mais populares. 

De um modo genérico, podemos indicar os seguintes, como os templos mais importantes:     
                  
  • Pártenon - Construído em Atenas, na sua acrópole é o maior e mais importante templo dedicado a Atena. A sua dimensão, a perfeição nas formas e as pinturas usadas tornam o Pártenon,-no no mais importante templo da Civilização Grega.
  • Templo de Apolo - Construído em Delfos funcionava como um oráculo e teve nesse aspeto uma importante função na cultura grega.
  • Templo de Zeus - Construído em Olímpia foi um dos mais importantes não nesta civilização, como no Mundo antigo. Este templo tinha no seu interior uma estátua de Zeus, construída por uma figura muito importante na arte grega, Fídias.  
A arquitetura grega revelada ao longo dos tempos esteve dependente de um conjunto de características, as chamadas ordens arquitetónicas, que definia as proporções ideais  dos vários elementos dos templos. Falaremos delas no próximo post. Mas há algo que não devemos esquecer e que diz respeito aos espaços onde vivemos.

 A ideia do belo, de algo que deve ter tanta importância numa sociedade, como a verdade ou a justiça. O século XX deixou de se interessar pelo belo, dando mais importância à fratura e a uma hipotética originalidade. A ideia de algo belo servido por uma aprendizagem técnica é algo que devemos aos gregos e que devemos falar em pormenor. Bastaria isso para compreendermos a sua importância na História da Humanidade. Se ainda observamos hoje edifícios feios, desenquadrados dos restantes é por esta falta do belo que os gregos tanto admiravam.
Imagem: O templo de Zeus em Olímpia